Não querer reparar partes do corpo, mas honrá-las
Não querer reparar partes do corpo, mas honrá-las
Hoje nenhuma demonstração especial está no centro. Um antigo mestre de Reiki provavelmente juntaria primeiro as mãos. Depois viria uma respiração. Só então a frase: o corpo não é o teu paciente num sentido depreciativo. É o teu companheiro mais fiel. Para a lição de hoje, esta frase quase basta. O Reiki I não se aprofunda com mais técnica. Aprofunda-se com repetição sincera. A certa altura, o corpo deixa de tomar a prática por uma ideia.
As mãos estão agora a aprender a não exigir logo algo de especial. Neste campo, a direção de hoje ganha peso. Não a tomes como matéria para a cabeça. Toma-a como um campo silencioso para as mãos. A imagem ajuda-te: como um velho casaco que te acompanhou ao longo de muitos invernos. É precisamente aqui que se mostra se já confias no simples. Talvez ainda andes à procura do extraordinário. Talvez hoje, pela primeira vez, o que está à mão seja suficiente.
Podes imaginar este exercício como um velho casaco que te acompanhou ao longo de muitos invernos. A imagem não é uma prova. É apenas uma ajuda para abrandares. Quando hoje colocares as mãos, não precisa de surgir nada de especial. Mais importante é perceberes o pequeno. Toma consciência da mandíbula; aí mostra-se muitas vezes uma vontade despercebida. Uma respiração tranquila pode ser um ensinamento. Uma dúvida honesta também.
Para a prática, não precisas de um grande aparato. Escolhe um lugar onde durante alguns minutos não tenhas de reagir. Senta-te de forma a que o corpo não lute contra a postura. Começa em Gassho, não como pose, mas como recolhimento. As palmas das mãos tocam-se. Assim encontram-se o lado ativo e o lado recetivo. A imagem de hoje permanece ao fundo: como um velho casaco que te acompanhou ao longo de muitos invernos.
Escolhe uma zona do corpo que costumas criticar. Coloca aí as mãos e agradece-lhe por uma tarefa concreta que ela cumpre todos os dias. Mantém tudo simples. Se surgir calor, deixas que o calor exista. Se não surgir calor, não fazes disso um problema. Se vierem pensamentos, isso não é fracasso. Um pensamento é apenas um visitante. Não tens de lhe oferecer chá. Volta às mãos tantas vezes quantas forem necessárias. Um mestre reconhece o progresso de outra forma. Não pergunta se os pensamentos desaparecem. Vê se um aluno regressa com mais gentileza.
A inquietação hoje está na comparação. Podes usar o exercício para te avaliares. Então o toque torna-se mais estreito. Podes querer forçar um efeito. Então a prática perde a sua dignidade. O Reiki I continua a ser uma escola de simplicidade clara. As mãos repousam. A respiração encontra o seu caminho. O corpo responde na sua própria linguagem. Hoje, esta forma concreta protege-te de modo especial: escolhe uma zona do corpo que costumas criticar. Coloca aí as mãos e agradece-lhe por uma tarefa concreta que ela cumpre todos os dias.
Um exemplo vindo da prática: uma mulher colocou as mãos sobre o ventre, que criticava muitas vezes. Pela primeira vez, agradeceu-lhe pela digestão, pela proteção e pela resistência. Este exemplo não é mais importante do que a tua própria experiência. Mostra apenas que estes temas raramente permanecem abstratos. Tocam o corpo. Tocam o ritmo do dia. Tocam a linguagem, o toque e a coragem de deixar algo simples.
O toque só ganha dignidade quando é claramente permitido. Antes de qualquer interpretação vem a contenção. Antes de qualquer ajuda bem-intencionada vem o respeito. Tu próprio também não és um objeto de prática. Não trates o teu corpo como algo que tem de ser reparado depressa. Trata-o como um velho companheiro. Nesta lição, isto vale de modo especial para esta direção: não querer reparar partes do corpo, mas honrá-las
Muitas respostas subtis só chegam quando já nada está a ser feito. Retira as mãos devagar e continua sentado. Sente se o corpo continua a trabalhar. Talvez a respiração se aprofunde. Talvez só agora percebas o cansaço. Talvez apareça uma frase clara. Talvez tudo permaneça tranquilo. O eco faz parte do tratamento. A imagem permanece silenciosamente presente: como um velho casaco que te acompanhou ao longo de muitos invernos.
Depois, não escrevas muito, escreve com verdade. Regista onde estavam as mãos. Regista o que foi percetível no corpo. Regista também qual foi a atitude interior que se tornou visível. Basta uma frase simples sobre respiração, resistência, calor, limite ou tranquilidade. O diário não precisa de brilhar. Precisa de ser honesto. Hoje pode tornar-se especialmente visível o que esta forma de prática desencadeou: escolhe uma zona do corpo que costumas criticar. Coloca aí as mãos e agradece-lhe por uma tarefa concreta que ela cumpre todos os dias.
Para terminar, leva contigo esta pergunta: que zona do corpo recebeu hoje honra em vez de correção? Não respondas logo. Deixa-a acompanhar-te ao longo do dia. Talvez se mostre ao caminhar. Talvez ao comer. Talvez numa conversa ou pouco antes de adormeceres. Então compreenderás melhor o antigo apontamento. O Reiki não termina quando tiras as mãos. Mostra-se na forma como continuas a viver.
Quando fechares este dia, fá-lo sem pressa. Faz interiormente uma reverência à simplicidade. No Reiki I, ela não é um erro de principiante. É a base. Leva contigo a imagem de hoje: como um velho casaco que te acompanhou ao longo de muitos invernos. Tudo o que vier depois assenta melhor quando esta simplicidade continua viva. Isto também vale no limiar do Reiki II.
Com uma conta, os dias soltos tornam-se um caminho: o teu progresso fica guardado, o teu diário mantém-se, e os dias de iniciação abrem no momento certo.