Reforçar o enraizamento após cada trabalho energético
Reforçar o enraizamento após cada trabalho energético
Hoje o corpo pode compreender primeiro, antes de a cabeça pôr ordem. Um antigo mestre de Reiki provavelmente juntaria primeiro as mãos. Depois viria uma respiração. Só então a frase: os pés são os grandes esquecidos de muitos caminhos espirituais. Sem eles, a luz fica facilmente suspensa. Para a lição de hoje, esta frase quase basta. O Reiki I não se aprofunda com mais técnica. Aprofunda-se com repetição sincera. A certa altura, o corpo deixa de tomar a prática por uma ideia.
Aquilo que no início era solene deve agora tornar-se fiável. Neste campo, a direção de hoje ganha peso. Não a tomes como matéria para a cabeça. Toma-a como um campo silencioso para as mãos. A imagem ajuda-te: como raízes que não falam de iluminação e, ainda assim, sustentam a árvore. É precisamente aqui que se mostra se já confias no simples. Talvez ainda andes à procura do extraordinário. Talvez hoje, pela primeira vez, o que está à mão seja suficiente.
Podes imaginar este exercício como raízes que não falam de iluminação e, ainda assim, sustentam a árvore. A imagem não é uma prova. É apenas uma ajuda para abrandares. Quando hoje colocares as mãos, não precisa de surgir nada de especial. Mais importante é perceberes o pequeno. Permite que a respiração se torne mais curta ou mais profunda, sem a moldares. Uma respiração tranquila pode ser um ensinamento. Uma dúvida honesta também.
Para a prática, não precisas de um grande aparato. Escolhe um lugar onde durante alguns minutos não tenhas de reagir. Senta-te de forma a que o corpo não lute contra a postura. Começa em Gassho, não como pose, mas como recolhimento. As palmas das mãos tocam-se. Assim encontram-se o lado ativo e o lado recetivo. A imagem de hoje permanece ao fundo: como raízes que não falam de iluminação e, ainda assim, sustentam a árvore.
Trata os pés no fim da tua prática. Se tratares outras pessoas, pede claramente o consentimento antes. Mantém-te calmo e devagar. Mantém tudo simples. Se surgir calor, deixas que o calor exista. Se não surgir calor, não fazes disso um problema. Se vierem pensamentos, isso não é fracasso. Um pensamento é apenas um visitante. Não tens de lhe oferecer chá. Volta às mãos tantas vezes quantas forem necessárias. Um mestre reconhece o progresso de outra forma. Não pergunta se os pensamentos desaparecem. Vê se um aluno regressa com mais gentileza.
O peso hoje está na exigência interior. Podes usar o exercício para te avaliares. Então o toque torna-se mais estreito. Podes querer forçar um efeito. Então a prática perde a sua dignidade. O Reiki I continua a ser uma escola de simplicidade clara. As mãos repousam. A respiração encontra o seu caminho. O corpo responde na sua própria linguagem. Hoje, esta forma concreta protege-te de modo especial: trata os pés no fim da tua prática. Se tratares outras pessoas, pede claramente o consentimento antes. Mantém-te calmo e devagar.
Um exemplo vindo da prática: uma mulher terminava todas as sessões na cabeça e ficava como que a flutuar. Só os pés a trouxeram de volta ao dia. Este exemplo não é mais importante do que a tua própria experiência. Mostra apenas que estes temas raramente permanecem abstratos. Tocam o corpo. Tocam o ritmo do dia. Tocam a linguagem, o toque e a coragem de deixar algo simples.
Quem sustenta um espaço não impõe a sua interpretação ao outro. Antes de qualquer interpretação vem a contenção. Antes de qualquer ajuda bem-intencionada vem o respeito. Tu próprio também não és um objeto de prática. Não trates o teu corpo como algo que tem de ser reparado depressa. Trata-o como um velho companheiro. Nesta lição, isto vale de modo especial para esta direção: reforçar o enraizamento após cada trabalho energético
O corpo continua a ordenar silenciosamente quando as mãos já repousam. Retira as mãos devagar e continua sentado. Sente se o corpo continua a trabalhar. Talvez a respiração se aprofunde. Talvez só agora percebas o cansaço. Talvez apareça uma frase clara. Talvez tudo permaneça tranquilo. O eco faz parte do tratamento. A imagem permanece silenciosamente presente: como raízes que não falam de iluminação e, ainda assim, sustentam a árvore.
Depois, não escrevas muito, escreve com verdade. Regista onde estavam as mãos. Regista o que foi percetível no corpo. Regista também qual foi a atitude interior que se tornou visível. Basta uma frase simples sobre respiração, resistência, calor, limite ou tranquilidade. O diário não precisa de brilhar. Precisa de ser honesto. Hoje pode tornar-se especialmente visível o que esta forma de prática desencadeou: trata os pés no fim da tua prática. Se tratares outras pessoas, pede claramente o consentimento antes. Mantém-te calmo e devagar.
Para terminar, leva contigo esta pergunta: o que acalma no corpo quando fechas em baixo? Não respondas logo. Deixa-a acompanhar-te ao longo do dia. Talvez se mostre ao caminhar. Talvez ao comer. Talvez numa conversa ou pouco antes de adormeceres. Então compreenderás melhor o antigo apontamento. O Reiki não termina quando tiras as mãos. Mostra-se na forma como continuas a viver.
Quando fechares este dia, fá-lo sem pressa. Faz interiormente uma reverência à simplicidade. No Reiki I, ela não é um erro de principiante. É a base. Leva contigo a imagem de hoje: como raízes que não falam de iluminação e, ainda assim, sustentam a árvore. Tudo o que vier depois assenta melhor quando esta simplicidade continua viva. Isto também vale no limiar do Reiki II.
Com uma conta, os dias soltos tornam-se um caminho: o teu progresso fica guardado, o teu diário mantém-se, e os dias de iniciação abrem no momento certo.